Além.da.embalagem

°°Porque mesmo em face do maior encanto, dele se encante mais meu pensamento°°

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°°Porque mesmo em face do maior encanto, dele se encante mais meu pensamento°°
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Terra Blog

17.07.08

Querer

"E de tantas coisas para se querer. 
 Eu só queria que você quisesse estar aqui."

08.07.08

Eu não sou daqui.

 Eu não devo ser desse mundo. Me sinto um ET, é como se eu tivesse vindo de um planeta 'super master' de tão legal e agora que sou 'pseudo-daqui' não consigo achar nada assim, legal...
 É como se todo mundo falasse das mesmas coisas e quisessem ir às mesmas festas barulhentas, com aquela música que fica martelando na cabeça e que deixa aquele Piiiii  no ouvido o resto da semana, festas cheia de gente bebendo talvez pra esquecer que todo mundo é igual. Eu não bebo porque a dor de cabeça que vem depois me irrita, o que a faz doer mais ainda e também não me agrada em nada acordar me sentindo parte desse lugar, porque no final eu que quero ser tão interessante, eu que tenho tanta coisa pra dizer e tanta música melhor pra escutar, vou acabar sendo só igual a todo mundo, dançando parada em um lugar que apesar de cheio está totalmente vazio. E aí acordaria sem nada legal pra lembrar, mesmo por que a dor de cabeça não permitiria.
 Vamos Jú, vai ser legal! Tá eu vou, quem sabe é legal. E eu chego lá e mais uma vez fico dançando parada enquanto algum idiota tenta passar a mão na minha bunda achando que quando eu olhar pra trás não vou saber quem foi simplesmente porque tem uns vinte e três caras num lugar que provavelmente só caberia doze, e de fato eu não sei quem foi. E eu penso: Será que no meio desse bando tem algum homem que tenha algo a dizer e que saiba não só apenas beijar?
 Resolvo continuar dançando depois que vejo três deles puxando a primeira que resolve dar bola.

(.Momento desabafo.) BLÉ!

04.07.08

Brilha onde estiver.

          

          Mês que vem, dia 11 é meu aniversário. 19 anos.
          Eu nunca me empolguei com festas e essas frescuras todas, mas eu gostava do “bolinho” que minha mãe nunca deixava faltar. O bolinho da Jú sempre esteve em cima da mesa na noite do dia 11 de agosto com a família toda reunida. E eu adorava.
          Acho que a única su-per festa que eu tive (mesmo por que eu nunca quis outra) foi no meu aniversário de 1 ano, o tema era Branca de Neve e minha mãe e minha tia até inventaram uma musiquinha que vira e mexe sempre cantam nessa data. Eu sei que foi um super aniversário porque meus pais mandaram gravar desde o momento em que estavam me arrumando até o fim da festa quando eu dormia no meu carrinho branco de listinhas vermelhas, super retrô. E toda vez que eu assisto a esse filme bem produzido no qual eu sou a protagonista, sinto uma coisa estranha. Acho que é saudade, saudade de um dia que eu nem lembraria se não fosse por essa ‘fita cassete’ que eu guardo com tanto carinho.
          E hoje li os post’s da Gabi Fidalgo, do Strawberry Fields (http://apenadaasadeumanjo.blogspot.com/) sobre o orgulho que ela sente do avô dela e meu deu uma vontade de ganhar um abraço do meu vovô no dia do meu aniversário e de ouvi-lo brincando: - ’19 anos perdidos’. Mas tenho a impressão de que este ano se ele estivesse aqui, diria com aquele mesmo tom de voz de quando ele cantava suas próprias composições no seu violão nas tardes de domingo, que foram até agora 19 anos muito bem empregados e que eu tinha um ótimo gosto musical e me daria o mesmo abraço protetor que ele dava enquanto ficava comigo até eu dormir. (Eu tinha medo de dormir sozinha =P)
          Já fazem 7 anos que ele faleceu, e apesar de ter ido já bem debilitado, eu só consigo me lembrar do sorriso meio surpreso, meio triste de quando ele me ouviu parada na porta dizendo: Vô, você me esqueceu? E ele me abraçou e pediu desculpas dando um rizinho que vai ficar na minha memória pra sempre. Ele me esqueceu na escola porque estava tocando teclado e nem viu a hora passar.
          Lembro que ele se foi numa páscoa, e eu que nunca gostei de demonstrar fraqueza, esperei as pessoas se dispersarem e me escondi no quartinho de bagunça pra chorar todo o meu lamento por não ter dito a ele o quanto eu o amava. A mesma tia que ajudou a compor a musiquinha do meu aniversário de um ano me achou e disse com todo o amor do mundo que eu não precisaria dizer, porque ele já sabia.
          Vovô Zezé, brilha onde estiver.

Segunda x Quarta

          Pensei em algo su-per sensato ontem e fiz uma comparação. Eu, sendo uma pessoa super sensível, adoro tudo quanto é arte, música; dança; pintura, e já tentei me dedicar a algumas delas. Porém, quando chega na metade eu já perdi todo o entusiasmo e aí eu vejo mais uma das minhas vontades exacerbadas indo embora. Sou a única pessoa que conheço que é apaixonada por segunda-feira. Juro, eu acordo super animada, vou toda arrumada pra advocacia e trabalho com um puta sorrisão no rosto, mostro os dentes até as raízes. Mas, quando chega quarta-feira, talvez por ser o meio da semana, eu fico extremamente desanimada, tenho sono e até minha alma parece estar cansada. Fico o maior bagaço, aparecem olheiras, pego a primeira roupa que vejo no armário e saio com um copo de café na mão pra ver se acordo. É o único dia que tomo café por mera necessidade e não por prazer. E é exatamente aqui que quero chegar. Assim como na semana, tudo que está no começo me deixa feliz e quando chega à metade me dá vontade até de morrer e acabo mandando tudo “pros quintos” mesmo. E é por isso que fica tão difícil acabar algo.
          E de hoje em diante minha mais nova paixão será a quarta-feira. Vou amá-la tanto, que ela vai ser o dia mais feliz, até mais feliz que sexta-feira e quem sabe eu consiga me apaixonar por todas as outras metades da vida e encontrar assim a minha metade, aquela que vai completar essa minha alma saturada de tudo que não fica. E pode ser que com essa prática maluca, eu comece a ser mais sal e açúcar e deixe de ser tão azeda. 

                                                                                              

Mulher-Maravilha.

          


           E a roupa de mulher maravilha rasgou, disse a minha terapeuta. E de fato, ela tinha rasgado e dessa vez por inteiro, mas sabe que eu nem me importei em ficar nua na frente de todas aquelas pessoas e muito menos de ficar nua na frente dos amigos dele. Eu podia sentir o olhar de todos, mesmo que eles nem estivessem olhando pra mim. E eu não me lembro de um dia que eu tenha me sentido mais feliz. Afinal agora eu poderia me escancarar de vez, já tinham visto tudo mesmo.
          Sou uma falsa blasé, sempre fui. Finjo não me importar quando na verdade ta explodindo aqui dentro. Quietinha, era o que as pessoas diziam, enquanto meu coração quase saia pela boca achando terrivelmente chato ter que sorrir sem vontade. Eu tinha medo de coisas legais porque eu não queria que elas acabassem. Sentimento bem parecido com o de quando sua melhor amiga dorme na sua casa e no final da tarde assim que ela vai embora, fica aquele buraco no meio do peito. De medo desse buraco vazio, fiz questão de manter a minha solidãozinha aqui me fazendo companhia pra nunca mais me assustar com a presença dela. Sei lá, receio de encontrar a felicidade e ter que vê-la indo embora em seu ápice. Medo da vida, era o que eu sentia.
          Fiquei imensamente feliz da roupa de mulher maravilha ter rasgado e caído na frente de todos, por que eu já estava cansada de remendá-la, cansada de sentar aqui e contar com um sorriso falso que aquele remendo era resultado de mais uma batalha que eu tinha conseguido vencer, ou pelo menos sair viva. Enquanto na verdade era uma fantasia idiota que me fazia querer ser o que eu não gostava de ser. Não sou perfeita e apesar de gostar da idéia, eu não vou salvar o mundo sozinha. E agora que todo mundo viu que eu sou extremamente branca e que eu assim como qualquer outra mulher de verdade, tenho celulites. Me deixem fazer drama, chorar e dar gargalhadas quando não pode sem ter que ouvir ‘xiiiu’, pois como já disse Nelson Rodrigues “ Perfeição é coisa pra menininha que toca piano”. E eu não toco.